quinta-feira, 28 de março de 2013

Tempo de mudança!


Ufa! Já faz um tempo que eu venho tentando escrever alguma coisa mas parece que a inspiração simplesmente abandonou meu cérebro, minhas veias, minhas células...
Agora consigo entender o que foi esse “hiato” criativo que tem me mantido afastado do blog por tanto tempo, ainda mais nesse período de Marcos Feliciano na presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, motoristas embriagados arrancando braço de ciclista e jogando o dito braço no rio para se livrar das provas, e tempo depois o mesmo motorista bêbado conseguindo Habeas Corpus para responder ao processo em liberdade. Tem também a falácia das redações do ENEM, onde uma redação contendo uma receita de macarrão instantâneo foi pontuada em 560. Isso sem falar na páscoa, que é sempre algo que eu gosto bastante de comentar e criar muita polêmica!
Mas com tanto assunto assim porque diabos eu simplesmente não consigo escrever? Pensei, pensei, pensei e acabei percebendo que foi tudo culpa da ansiedade. É meus queridos leitores e leitoras, eu estou tomado pelo pavor da mudança e é exatamente esse o motivo que tem me impedido a concentração e tem livrado vocês dos meus delírios literários (se isso é pelo bem ou pelo mal cabe a vocês me dizerem).
E foi agora, depois da novela, tomando um longo banho – morno e relaxante – que eu resolvi escrever exatamente sobre isso: MUDANÇA!
Só pra ter certeza de que desta vez vai sair alguma coisa eu já desliguei a televisão, acendi as luzes, coloquei uma musiquinha bem light e inspiradora pra tocar aqui e vamos que vamos, bora escrever sobre essa coisa que acaba perturbando a alma não só minha, mas de tanta gente por aí!

O processo de mudança é sempre complicado, não importa de que forma essa mudança ocorre e com qual (ou por qual) finalidade ela ocorre, contudo é um processo pelo qual todos nós passamos e deveríamos já estar acostumados e preparados para isso, mas não estamos. Nunca estamos!
Não sei se o fato de eu ser canceriano, apegado ao passado, ao contexto familiar e à segurança do lar e dos porta retratos acaba deixando essa característica de resistir às mudanças tão gritante em mim, mas acho que até hoje todas as pessoas com quem já convivi temeram mudanças. Talvez não as temessem como eu as temo, com imenso pavor, mas que ao menos se sentiram inseguras diante de algumas decisões que deveriam ser tomadas em um curto espaço de tempo.
 Isso vem desde a transição da infância para a adolescência. Eu não sei como essa coisa funciona hoje em dia, visto que a molecada está cada vez mais “sofisticada” e sendo cada vez mais cedo apresentada aos aspectos da sexualidade, mas quando eu passei por essas mudanças elas ainda apavoravam e causavam muito constrangimento às crianças. Me pergunto que menina da minha época que não se assustou quando começaram-lhe a crescer os seios e aparecer os malditos pelos em lugares onde antes não havia? E a primeira menstruação? Hoje as gurias já são preparadas para isso, o diálogo entre os pais e os filhos é bem mais aberto (falo dos pais que merecem receber esse título, os que falam, orientam e fazem diferença na vida dos filhos, esses sim conversam sobre tudo) mas e na época em que a primeira menstruação fazia com que a garota pensasse estar morrendo de hemorragia?
Nos meninos também surgem novos pelos e odores, a mudança de voz causa muito constrangimento entre os garotos que falam ora grosso, ora fino. Isso sem mencionar a barba que começa a nascer, e as descobertas sobre os órgãos sexuais – que agora funcionam para a reprodução – e a descoberta e experimentação da libido. São os famosos hormônios em fúria!
Essas mudanças são inevitáveis, são biológicas e hoje já há instrução e conhecimento suficiente para sabermos lidar com elas, compreende-las e teme-las pouco menos, mas e as mudanças que não são biológicas? Aquelas que não são inevitáveis, aquelas que nos colocam frente a frente com escolhas e decisões que dependem de ninguém mais se não nós mesmos?
E é exatamente dessas mudanças e escolhas que quero falar, são essas mudanças e escolhas que estão me corroendo a alma, me afogando em ansiedade e implorando pro mundo parar porque eu quero descer!
Só para situá-los em minha angústia: Quem me conhece sabe que eu estou noivo de uma garota que mora em Caxias do Sul, e que se quiser que nosso romance dê frutos alguém vai precisar se mudar, e resolvemos que eu vou para lá.
A princípio foi tudo lindo, tantos sonhos, tantas ilusões, tantos pensamentos e idealizações... E caímos de cabeça na realidade tenebrosa da burocracia que está intrínseca nesse processo de mudança para outra região do país. Já pensou só sair da minha terra de oportunidades que é São Paulo e ir para o Rio Grande do Sul, lugar de tradições marcantes e de um povo que historicamente não gosta muito do resto do país (e tem uma birra evidente com paulistas).
Como se não bastasse esse processo de transição cultural e geográfica, que em si já constitui motivos mais do que suficientes pra deixar qualquer um grilado ainda tem a questão da minha saúde que é bastante delicada e toda a questão de adaptação, financeira... Enfim! Um verdadeiro pardieiro que caiu de repente na minha vida. E eu nem mencionei o fato de estar longe da minha família, minha mãe que é minha protetora e maior fonte de inspiração, a grande responsável por eu estar aqui, firme, forte e lindo, minha irmã que é meu maior tesouro e a coisa que mais amo nesse mundo, incondicionalmente, meu gato que é meu filho precioso e uma coisinha linda que depende de mim tanto quanto dependo dele e de seu carinho.
Amigos tenho poucos, mas os poucos que tenho são como uma extensão da minha família e sempre estiveram presentes nas horas de crise para me apoiar e me acudir. Meus médicos que são maravilhosos e pessoas cuidadosamente colocadas por Deus na minha vida,  até porque sem a sabedoria deles eu nem estaria aqui hoje também, meus enfermeiros queridos, o pessoal que cuida de mim com todo o carinho do mundo, e que acabaram tornando-se amigos mais do que especiais e essenciais e tantos outros amigos que tenho e que nem conheço, mas que de alguma forma está presente na minha vida, me ajudando de alguma maneira.
Vale a pena deixar tudo isso pra trás?
Não é como se eu estivesse deixando, estou carregando tudo no meu coração e deixando com cada um meu carinho e gratidão, mas acho que pelo amor e pela realização dos meus sonhos (os que ainda posso realizar) vale sim, bom, sei lá... Vou descobrir quando e se estiver por lá.
Mas prometo que volto para me esconder do frio! Ah se volto!
Bom gente, acabou não sendo a crônica cheia de reflexões e denúncia que vocês estão acostumados, esse texto está mais para um desabafo... Peço desculpas para quem sentiu que perdeu seu tempo, mas agradeço a todos que leram e partilharam um pouco das minhas agruras. Se serviu de alento ou encorajamento para alguém, ou ainda para um reflexão então já me sinto satisfeito!
E logo voltaremos com nossa programação normal, porque vocês sabem mas nunca me canso de repetir:
O mundo é torto, mas juntos, seja em Jundiaí ou em Caxias do sul, a gente endireita!
Forte abraço e até a próxima!!!

segunda-feira, 4 de março de 2013

Os tropeços da educação no Brasil


Ontem fiz uma coisa que para mim foi novidade: Assisti ao programa Fantástico.
Anti-Globo como sou assisto apenas um programa da referida emissora: Lado a Lado, pois é, sou apaixonado pela novela das seis e estou sentindo um profundo pesar sabendo que está é sua última semana. Será que Constância, a ex-Baronesa da Boa Vista conseguirá se safar do sequestro do próprio neto? E Isabel e Zé Maria? O destino tornará a uni-los ou ambos estão fadados a traçarem caminhos separados?
Bom, não estou aqui para discutir a novela, acabei me empolgando um pouco... O fato é que durante o programa vi e fiquei bastante interessado sobre uma matéria que falava da introdução de jogos de computador na didática e na metodologia de ensino e que agora as escolas capacitavam professores para uso de Tablets e o governo está disposto a investir em tecnologia para manter o interesse dos alunos nos conteúdos.
Logo depois de assistir a matéria recebi um telefonema da minha noiva, que também tinha acabado de ver a reportagem e queria comentar comigo e saber minha opinião a respeito (morram de inveja do meu namoro super intelectual!).
Durante a conversa, ela – que é professora de uma rede particular de escola de idiomas – disse que muito se falava sobre uma reforma pedagógica no ensino, uma maneira de tornar as aulas cada vez mais atraentes para os alunos e que nesse novo método o aspecto disciplinar era jogado para escanteio. Vou usar o exemplo que ela ouviu e me contou, apenas para ilustrar como seria isso: Se por acaso o aluno recebesse uma tarefa e resolvesse fazer essa tarefa deitado no chão, com livro, lápis e borracha espalhados pelo assoalho da sala, estaria ok. O que realmente importa é que ele entregue o tema completo e no prazo. Essa nova metodologia visa mostrar que o importante é o resultado, mais ou menos algo como “os fins justificam os meios”.
Eu discordo plenamente!
Discordo dessa “libertinagem” em sala de aula, discordo dessas novas metodologias... Discordo de tudo isso, e vou explicar-lhes o porque dessa MINHA OPINIÃO.
A escola tem como tarefa primária instruir, isso é fato. Existe uma discussão acalorada que defende que a ação de educar não deve ser delegada à escola e sim aos pais e nessa questão as opiniões se dividem pois todos sabemos que hoje em dia são minoria os lares em que apenas o homem trabalha e a mulher fica como única responsável pelas prendas domésticas e pelos filhos. É comum que ambos trabalhem fora e tenham que lidar juntos com as tarefas domésticas e com a educação dos filhos.
O tempo que as crianças passam na escola tem se expandido cada vez mais, justamente porque os pais passam menos tempo em casa e preferem manter seus filhos na escola durante o período integral, ou seja, as crianças passam cada vez menos tempo em casa, e durante esse tempo que estão no lar ainda temos que descontar o tempo que passam dormindo.
Por isso defendo que a escola talvez não tenha a obrigação de educar, mas tem sim todo o dever de trabalhar na formação do cidadão, e para formarmos cidadãos precisamos de disciplina, e é aí que essa “escola dos sonhos” não combina com a realidade da educação no Brasil.
Eu costumo dizer o tempo todo que o papel aceita tudo, no papel tudo é lindo e mais lindo e no papel o conceito da progressão continuada também era muito bacana.
Esse conceito surgiu na década de 60 e tinha como objetivo evitar a evasão escolar criando um processo de “ciclos” no ensino, de modo que o aluno que não conseguisse aprender satisfatoriamente um conteúdo não era retido ao final do ano, esse aluno seria encaminhado ao reforço durante um período e poderia seguir para o próximo ano –ou ciclo, onde estaria revendo aquele conceito ou conteúdo que não havia absorvido completamente, por meio da interdisciplinaridade ou interação entre conteúdos.
Porém, contudo, entretanto, a progressão continuada ainda possui alguns aspectos que as escolas (ao menos a grande maioria) não seguem e entre esses aspectos está a recuperação paralela, onde o aluno faz uma revisão do conteúdo e tem uma assistência baseada em suas dificuldades cognitivas, essa recuperação deve ser seguida de uma avaliação contínua, para certificar que o aluno está apto para absorver o conteúdo que não foi capaz de acompanhar junto com a classe, sem esses aspectos a progressão continuada parece apenas que a escola não repete o aluno e é por isso que temos uma enxurrada de analfabetos funcionais sendo desovados pelo ensino público e pela odiosa progressão continuada que beneficia os alunos vagabundos e faz troça daqueles que se esforçam. Pensem como fica a cabeça de uma criança que se esforça, faz as tarefas, participa ativamente das aulas e que ao final do período vai ter a mesma aprovação do que o vagabundo que apenas bagunçou durante todo o ano letivo e prejudicou as aulas e seus colegas e professores?
Esse aluno é mais um a ser envenenado pelo ”jeitinho brasileiro” .
Não adianta pensar em inclusão digital para alunos que não sabem sequer escrever, que invadem as mídias sociais com sua falta de respeito e seu português que faria Cabral amaldiçoar o dia em que se aventurou no mar e descobriu essa terra, que já fora Ilha de Santa Cruz, passou a ser Terra de Vera Cruz e agora é terra de ninguém, senão de corruptos e bandidos.
Tablets na escola? Prefiro ética, civilidade, disciplina. Prefiro que voltemos ao tempo em que entoávamos o hino com a bandeira hasteada antes de começar o período letivo, prefiro voltar ao tempo em que os alunos recebiam o professor todos em pé, com um “Boa Tarde” entoado em uníssono e mãos para trás em sinal de servidão e submissão ao mestre que entrava na sala de aula, em respeitoso sinal de que eram todos jarros vazios, corpos famintos por conhecimento, como se aquele conhecimento, como se aquele conteúdo fosse trazer-lhes de volta suas almas.
Chega dessa demagogia imbecil, dizendo que o Brasil é um país de todos, vamos fazer deles um país dos que merecem.
Sem mais. Forte abraço e até a próxima!


sexta-feira, 1 de março de 2013

Os 5 sentidos da alma.


Tem muita gente que passa o tempo todo reclamando da vida, reclamando dos dias, reclamando das coisas, das pessoas, de tudo e de todos... Essas pessoas simplesmente perderam os seus sentidos e por isso passam correndo pela vida, como se estivesse fugindo de uma amargura gigantesca.
Hoje estava conversando com uma amiga da época em que cursava Design de Interiores, a amiga mais querida entre as minhas amigas mais queridas, porém essa amiga deixou o bate papo por alguns minutos para colocar a roupa suja na máquina de lavar e voltou entusiasmada.
O motivo de tamanho entusiasmo foi uma enorme e grata surpresa para mim, pois quando a lavadora de roupas dela começou a bater a roupa encardida ela me lembrou de algo que havia dito à ela quando estudávamos juntos, algo que eu sequer lembrava que havia dito. Ela me lembrou de quando eu a havia ensinado a ouvir a música do mundo e que agora sua lavadora tocava um samba dos bons.
Não consigo precisar quando e em que circunstância eu havia dito isso à ela, mas lembro claramente que disse, e foi muito bom ter reavivado essa lembrança, pois eu tenho muito medo de acabar perdendo também meus sentidos e caindo no “andar escuro” da vida.
E é verdade, tudo tem uma música. Todas as coisas no mundo têm seu próprio ritmo e sua própria musicalidade, desde a leve marcha causada pelo tamborilar dos pingos de uma garoa de verão até o samba de raiz executado pela máquina de lavar da minha amiga.
A vida é um bombardeio de estímulos aos nossos sentidos. Uma explosão de cores, linhas, sons, aromas que não podem ser reproduzidos com a mesma fidelidade por nenhuma criação humana.
Não existe Full HD capaz de reproduzir com fidelidade a beleza de um céu em um dia ensolarado e livre de nuvens, não existe corante, aromatizante ou qualquer coisa artificial capaz de reproduzir a textura e o aroma dos bolinhos de chuva da minha vó, principalmente quando estão quentinhos, recém tirados da fritura e polvilhados com açúcar e canela. Não existe na s prateleiras o ingrediente chamado “amor” e é esse ingrediente que faz toda a diferença e dá o sabor todo especial para aquele almoço de domingo que minha mãe prepara, em uma das suas raras folgas dominicais, ou que dá aquela maciez aos bolos que minha irmã vive testando, e até o arroz com feijão que eu faço no dia a dia tem uma textura  característica, que eu só consigo atingir quando os faço com amor!
AS imagens mais bonitas, com maior qualidade de resolução estão, muitas vezes, emolduradas por nossas janelas, apenas não temos tempo para admirá-las por alguns minutos e através disso achar aquela paz que tanto buscamos e que perdemos fácil e constantemente por estarmos sempre tão envolvidos com preocupações como trabalho, dinheiro, posses. O tempo que perdemos desejando coisas e invejando quem as tem seria muito mais bem gasto se pudéssemos perdê-lo admirando esses “bens” que estão ao alcance de todos e são distribuídos igualmente para toda a humanidade.
Dê mais valor para o anil do céu, para o frescor da noite, para o aroma delicioso e um café recém passado, para a textura incomparável de um abraço daquela pessoa que se ama...
São pequenas coisas  e gestos que passam despercebidas, mas que se desfrutadas são verdadeiros bálsamos para o estresse e a correria do dia a dia, e não adianta ficar tão ligado nas questões materiais, essas coisas não custam nada e ao mesmo tempo, não há dinheiro no mudo que pague!


quinta-feira, 31 de maio de 2012

O dia em que as vadias marcharam


“O cara tem que ter pegada!”

Quantas vezes eu já não ouvi a frase acima sendo proferida por uma jovem incauta que aparentemente ainda não tem muita noção da profundidade da vida nesses tempos modernos.
Torno a dizer que o cara não tem que ter “pegada”, se a mulher está dizendo que essa é uma característica determinante, ela está se enquadrando na categoria de objeto e que não venha reclamar quando começar a ser tratada como tal.
O raciocínio é muito simples e não deixa margem para equívocos de interpretação: Você pega uma maçã, pega uma panela, pega um desodorante, pega um sapato, pega um travesseiro... Mulher não se pega, mulher se corteja, se conquista!
E agora vai ter muita garota me dizendo “Ah Diego, mas se eu exigir demais eu acabo ficando sozinha”.
E que mal há nisso? A pessoa só teme ficar sozinha quando detesta sua própria companhia, quando não se enxerga como alguém interessante. E é aí que eu pergunto se existe mais vantagem em viver em sua própria companhia ou em companhia de outra pessoa que também detesta só pra alegar que não está “sozinha”.
Aconteceu em Porto Alegre algumas semanas atrás a “Marcha das Vadias”, uma passeata em repúdio à violência doméstica e que apareceu aqui em São Paulo no ano passado.
A bem da verdade a “Marcha das Vadias” nasceu no ano passado, no Canadá, em forma de manifestação contra declarações que diziam que vítimas de estupro haviam provocado o crime por usarem roupas decotadas ou saias curtas... Enfim, roupas consideradas provocantes.
Aqui no Brasil o título da manifestação manteve-se original, traduzido do nome em inglês “Slutwalk”, porém no Brasil a manifestação foi ainda mais profunda e fez questão de abordar o tema da violência doméstica. Várias estatísticas apontam que esse é sim um assunto que deve ser tratado com seriedade nesse país, pois os índices de mulheres mortas vítimas de violência no próprio lar, seja de companheiro, marido ou namorado, já atingiu um nível alarmante, e aqui a passeata exige uma vigilância maior dos órgãos públicos e uma punição ainda mais severa para quem comete crimes de violência contra a mulher, crimes esses que só vieram à luz das discussões depois da incansável luta de Maria da Penha, que foi baleada pelo marido enquanto dormia e consequentemente acabou paralítica. Maria da Penha escreveu um livro sobre sua vida de maus tratos sofridos e lutou com firmeza para que esse tipo de crime não passasse mais impune e isso gerou uma comoção, e aos poucos as mulheres começaram a reagir e o número de denuncias aumentou sensivelmente. Estava declarada a guerra contra os abusos e violência.
E agora eu paro e penso: O que leva um macho – porque ser “homem” é completamente diferente de ser “macho” – crer que pode agredir sua mulher pelos motivos mais fúteis?
Uma camisa não lavada vira uma queimadura, um bife bem passado se transforma num tapa, uma calça amarrotada vira um soco ou coisa pior... Isso é impotência, falta de bagos. É um pobre diabo impotente que desistiu de estudar, tem um emprego medíocre, não gosta de si mesmo, é assediado pelo chefe e vê sua vida completamente desprovida de realizações e acaba descontando tudo naquilo que talvez seja a coisa mais preciosa que ele tem em sua vida miserável, a única coisa que talvez não pense que ele é o inútil que é, aquela pessoa que aceitou passar por dificuldades junto com o companheiro e muitas vezes sofre calada.
Mas é aí que giramos a moeda e enxergamos sua outra face:
Estava eu assistindo um programa na televisão essa semana que abordava esse tema e foi justamente o que acabou me deixando com vontade de escrever. No programa, várias mulheres foram abordadas nas ruas e interpeladas sobre a questão da violência contra a mulher. Para meu espanto a grande maioria simplesmente respondeu “Tem mulher que merece apanhar mesmo!”
E é por isso que esse país está indo à bancarrota, por causa desse desserviço que a própria sociedade presta contra si mesma.
Ninguém deve “apanhar mesmo”. Nem a mulher, nem os filhos (deixando claro que não me refiro aqui à palmadinha, falo de apanhar MESMO) e nem bichinho de estimação.
Por isso eu digo que as mulheres devem valorizar-se e não procurar um homem com “pegada” e sim um homem cortês, com respeito, porque aquele da pegada pode muito bem, mais cedo ou mais tarde, te “pegar” pelo braço e agir com violência.
O mundo está cheio de imediatismos, cheio de novas regras, mas alguns hábitos jamais devem ser deixados de lado e a educação e o respeito são alguns dos imutáveis.
E só pra finalizar quero deixar bem claro que quem ama não agride e o crápula não muda, não importa quantas vezes ele se arrependa e quantas vezes ele prometa que tudo vai ser diferente... Não vai.
Forte abraço e até a próxima, e não se esqueçam:
O MUNDO É TORTO, MAS A GENTE ENDIREITA! Ahhhhh se endireita!

quinta-feira, 29 de março de 2012

Mulheres e proficiência.


Eu sempre fui um defensor de que a mulher é o ser mais sublime da criação divina e que nada e nem ninguém pode dizê-las aonde e quando devem estar e ficar. A mulher tem conquistado cada vez mais espaço no mundo e hoje não há nada que um homem faça que uma m


Contudo hoje eu venho acrescentar um adendo a esse meu eterno mantra, e esse adendo é de que as mulheres devem sim agir em toda e qualquer área desde que tenha proficiência.
ulher não seja capaz de reproduzir, enquanto ao homem é negado o direito de dar à luz e por isso, no meu modo de perceber as coisas, a mulher é sim, muito superior ao homem.

E quando eu digo proficiência, me refiro apenas ao conhecimento básico necessário para tecer comentários sobre determinada coisa ou situação.

Digo isso porque ontem estava eu em pleno estádio Jaime Cintra, aqui em Jundiaí, acompanhando a partida entre Palmeiras e Paulista. Estava eu acompanhado de minha irmã e de um casal de amigos de faculdade dela.

Eis que chegam duas garotas e se sentam logo atrás de mim na arquibancada da torcida alvi ver

de, e nem bem sentaram já começaram a berrar escandalosamente para os jogadores, que a essa altura sequer haviam entrado em campo e, quando entraram, fizeram as referidas garotas berrarem numa cacofonia do inferno. Entre os altos e esganiçados brados nada de construtivo, apenas dizendo – ou melhor, berrando – que este ou aquele jogador é lindo, entre outras referências à anatomia dos jogadores considerados belos pelas mesmas.

E durante o jogo o espetáculo prosseguiu, com gritos agudos e comentários enfadonhos de quem claramente não sabe sequer o porquê de estar lá.

Outro exemplo que me vem à cabeça é na música, quando e enquanto adolescentes no auge de sua produção hormonal endeusam um cantor pela sua beleza, ignorando sumariamente a arte a que ele representa, ou deveria representar. Uso como exemplo aqui dois nomes que estão sempre em evidência na mídia: Justin Bieber e Restart. São eles realmente grandes nomes da música mundial? São eles realmente relevantes para o contexto musical, histórico musical? Não, não são. São rapazes propositadamente moldados por estúdios e gravadoras para serem “bonitinhos”, mostrando completo descaso com a arte qu

e os mesmos representam. O que dizer ainda do cinema, onde cada vez mais os filmes têm cumprido a obrigação de serem “bonitinhos” para serem assim melhores consumidos?

E não adianta me dizer que isso é moda adolescente porque eu o mando ao raio que o parta, pois muitas mulheres crescidas e maduras descabelam-se por ídolos “manufaturados” que denigrem o nome da arte que representam.

Não digo que mulher não deve ir ao estádio, muito pelo contrário. Digo que ela deve ter um propósito quando vai ao estádio, que vá pelo futebol, pela história da camisa que escolheram para incentivar e não porque esse ou aquele jogador é aprazível aos olhos. Que saiba entender em contexto daquilo que se propõe a falar ou defender, com argumentos, com conhecimento de causa.

NUNCA uma fã dessas bandas ou artistas teens de qualquer sorte teve um argumento melhor do que “É que tal cantor é lindo” para me convencer de que a música deve ser reverenciada ou levada a sério.

Mais uma vez coloco que não sou contra as mulheres opinando, indo ao estádio ou ao cinema ou o que seja, mas façam-no pela arte, façam-no com conhecimento de causa, de modo contrário só estarão a desmoralizar e a envergonhar toda a relevância, importância e reconhecimento que as mulheres vêm conquistando em tempos modernos.


Forte abraço e até a próxima!

quinta-feira, 8 de março de 2012

O que seria de mim sem vocês?



Pra começar eu simplesmente não seria! Se não fosse o caloroso ventre materno eu não teria tido sequer a oportunidade de nascer, aliás, nenhum de nós teríamos pois acho que aqui ninguém brotou do chão, não é mesmo?

E foi logo pequeno que eu fui cercado e nutrido pelo amor incondicional desses seres tão frescos, perfumados e doces. Fui cercado, envolvido, protegido e tão logo nasceu uma identificação que eu não fora capaz de evitar.

E como as mulheres têm feito parte de nossas vidas e como essas mesmas mulheres têm conquistado seu espaço a duras penas e com muito sacrifício e suor do rosto.

Hoje temos mulheres na política, mulheres nos postos de gasolina abastecendo os carros, temos mulheres pilotando esses mesmos carros, ônibus, carros de corrida... A mulher conseguiu preencher todos os espaços que outrora eram considerados “masculinos” e até mesmo o futebol acabou sendo invadido por tranças, laços e batom!

Elas estão em todos os lugares! E nós temos que dar graças aos céus por isso, pois sabemos que tudo aquilo que elas fazem é feito com imenso amor, dedicação e com todo aquele toque materno que nós homens nascemos e morremos dependentes.

E eu celebro essa invasão feminina no mundo e fico penalizado e até um pouco revoltado é o fato de que essas mesmas mulheres que vem desbravando o mercado de trabalho e indo à luta ainda são remuneradas de forma diferente e ganham menos do que os homens, mesmo exercendo as mesmas funções. E se levarmos ainda em conta de que as mulheres de modo geral são mais estudadas que os homens (média de dois anos a mais na escolaridade) essa disparidade fica ainda mais gritante!

Assistindo um especial sobre as mulheres eu ouvi o depoimento da primeira árbitra de futebol do país - que trabalhava na ilegalidade pois a constituição da época (década de 60) impedia que mulheres exercessem funções ditas masculinas – disse algo que me tocou fundo: Ela disse algo que não vou reproduzir com as devidas aspas porque não consigo me lembrar das palavras exatas, apenas da essência do que ela disse. E foi algo como: Se as mulheres conseguem dar à luz, que é algo que nunca homem nenhum será capaz, então a mulher é sim capaz de fazer qualquer coisa que um homem faça.

E foram mais ou menos essas as palavras da precursora da arbitragem feminina no país.

Ainda chamo a atenção para um detalhe que passa despercebido por muita gente por ser uma coisa que “faz parte da rotina e da cultura” que é o fato da mulher ingressar numa jornada de trabalho com a mesma carga horária que o homem, no caso marido, namorado ou qualquer coisa que o valha, e ainda ter de chegar em casa e encontrar todas as responsabilidades que são erroneamente atribuídas à mulher, graças a um sistema machista que foi sendo cultivado desde a época da clava!

Cabe ao homem reconhecer todo o esforço feminino e recompensá-la sendo um pouco mais presente dentro de casa, com o lar, com os filhos e com todas as tarefas que são atribuídas à mulher e que vêm se tornando um verdadeiro fardo, uma verdadeira via-crúcis para a mulher moderna.

E cabe às mulheres exigirem todo o respeito e cooperação da parte dos babacas de plantão, que ainda se acham na categoria de “macho-alfa”, que ainda se acham donos das mulheres e que ainda acham que podem agir com ignorância e até violência. As mulheres devem sim manter o nível, manter o respeito e não permitir qualquer reação mais violenta, por mínima que seja pois bem sabemos que o puxão de cabelo de hoje, o apertão no braço de hoje pode vir a tornar-se o crime passional de amanhã. Aliás, crime passional o diabo que o carregue, pois quem ama, o apaixonado não fere, sequer oferece à sua esposa uma rosa, por medo que esta se arranhe nos espinhos.

Eu, grato e apaixonado que sou pela mulher, por todas as suas formas, definições e nuances desejo do fundo do meu coração um feliz dia da mulher, esse e todos os outros 366 desse ano, os que já se passaram e os vindouros, porque uma criação tão perfeita e tão primorosa de Deus deve ser celebrada todos os dias.

Forte abraço e até a próxima!!!

terça-feira, 6 de março de 2012

Não mexa com meu videogame... Sério... NUNCA!



Hoje estou comemorando uma vitória da tão flagelada e adormecida democracia!

Acontece que tempos atrás um digníssimo senador Valdir Raupp veio com um projeto de lei que tinha como objetivo – e falo resumidamente – proibir a comercialização, importação, estocagem de qualquer game com conteúdo considerado “ofensivos aos costumes, às tradições dos povos, aos seus cultos, credos, religiões e símbolos”.

Essas considerações ficariam a cargo de um restrito grupo que avaliaria os jogos e decidiria acerca de seu conteúdo e se este poderia ser liberado para comercialização.

Ou seja: O governo seria responsável por escolher e permitir o seu entretenimento baseado num critério que duvido que fosse chegar ao nosso conhecimento, ou você também não acha essa descrição do que é “ofensivo aos costumes e tradições” um conceito muito vago e extremamente abrangente? Visto que todos os jogos possui um conteúdo místico, violento ou ainda fantasioso eu acho que nos restaria apenas os jogos da Barbie, e olha lá, uma vez que quando vamos trocar as roupinhas da Barbie e a boneca aparece nua na tela até que outra peça seja adicionada.

Um jogo sobre mitologia grega, por exemplo, não seria aprovado se um ou mais dos integrantes dessa banca fossem evangélicos, uma vez que a religião abomina esse tipo de cultura e tem como “falsos deuses” e “obra do Diabo”. De que nos serviriam os jogos senão para extravasar nossas frustrações, ou até mesmo aliviar o estresse do dia a dia. Nada como chegar de um cansativo dia de trabalho, depois de passar horas aguentando aquele colega chato e sem o mínimo respeito por seu espaço, e metralhar uns e outros em algum jogo. O videogame nos dá o que a realidade nos nega, coisa que antes só poderíamos obter através de nossos sonhos... E vamos concordar: Com a correria do dia a dia sequer temos tempo para sonhar, nosso sono é reparador e compensador por toda a energia desprendida em um mundo que exige demais de nós, portanto vamos nos dar a oportunidade de fazer o impossível e se os jogos são as ferramentas pelas quais muitos atingem essa façanha porque censurá-los? Violência não pode ser contraída. A violência é alimentada quando a educação não faz seu devido trabalho. Uma presença materna e paterna na tenra infância não deixa espaços vazios e negros a serem preenchidos pela violência e, de qualquer forma, a violência encontra muitas outras válvulas de escape. Quantos criminosos gamers já foram confessos? E quantos delinquentes já não feriram e mataram durante uma partida de futebol? Vamos proibir o futebol! Má que... O Brasil iria à falência não é mesmo???

Acho engraçado vira e mexe surge uma lei com foco na censura dos games, justamente porque não vemos esse mesmo rigor e essa mesma preocupação por parte dos parlamentares acerca da televisão e aqui eu cito em letras maiúsculas a REDE GLOBO DE TELEVISÃO e seu conteúdo extremamente ofensivo, com teor sexual, linguagem imprópria e total inversão de valores. Todos os defensores da moral e dos bons costumes que eu conheço, sejam eles defensores de preceitos embasados em sua própria religião, são fiéis seguidores de novelas, Big Brother e toda sorte de programa sensacionalista e agora eu pergunto: Com que moral uma pessoa que assiste a uma programação que gira em torno de um estupro que hora vem à tona, hora é desmentido pode arbitrar sobre moral e bons costumes? Outra coisa que corrobora, e muito, para essa perseguição às diversões eletrônicas é que o Brasil infelizmente ainda não sabe o verdadeiro valor de mercado que marcas como Ubisoft, EA Games e Square Enix agregam. Hoje em dias os jogos movimentam mais dinheiro do que o cinema, por exemplo, e suas franquias são vendidas como água, tornando-se todo tipo de produto imaginável.

O Brasil é um país extremamente criativo e poderia muito bem tirar proveito disso criando uma lei de incentivo aos pequenos estúdios independentes de programação de games que já estão conseguindo uma boa colocação ao menos no mercado de jogos para celular, por exemplo.

Vale a pena ressaltar que grandes empresas de jogos no exterior possuem brasileiros trabalhando em suas programações, desenvolvimento e criação de design de personagens. Mentes essas que não são aproveitadas aqui, tudo porque o Brasil ainda possui uma mente extremamente retrógrada no que diz respeito à tecnologia.

Comemoro o fato de que há duas semanas o próprio senador e autor da lei retirava da bancada o projeto, graças às manifestações de gamers do Brasil inteiro que souberam consolidar suas forças de modo que a voz dessa classe tão desprestigiada foi ouvida lá em Brasília!

Fico feliz por enxergar ainda um ralo brilho de democracia nesse país que outrora já foi capaz de vencer o sistema, extinguir um regime militar e desempossar um presidente.

Sei que outras leis virão e que apenas vencemos a batalha, mas a guerra é longa e árdua. A guerra por respeito, a guerra por inclusão, a guerra por compreensão.

Espero que esse frenesi que vemos por parte de deputados e senadores em interferir na cultura que decidimos consumir mude de foco e passe a perseguir interesses que realmente importam e de que nosso povo tanto carece.

Sei que parece demagogia falar, mas espero esse mesmo empenho que levou os gamers a unirem-se em prol de defender uma causa e lutar por seus direitos possa também unir a todos como cidadãos conscientes, para que possamos juntos lutar pelo que realmente importa e cobrar daqueles que elegemos nas áreas que realmente exigem atenção.

Fica aí meu apelo! Forte abraço e até a próxima!

Foi assim que o Vegeta ficou quando ouviu dizer que iriam proibir seus jogos...