Estava de olho nas
notícias e vi que o governo suspendeu – sem aviso – o programa
“Minha casa melhor” que atua junto ao “Minha casa, minha vida”
e libera um subsídio extra para a compra de móveis e
eletrodomésticos para a casa recém adquirida.
O motivo da
suspensão deste programa social é óbvio: O governo atual faliu o
Brasil.
Foi então que me
coloquei a pensar sobre projetos sociais que ajudariam de fato a
classe mais carente sem gerar o parasitismo e o oportunismo que temos
observado acerca das “bolsas” concedidas pelo governo federal.
Muita gente leva o
auxílio a sério e o usa para manter os filhos enquanto peleja uma
colocação profissional, contudo, outras pessoas tiram o foco da
verdadeira função do benefício e deixa os filhos à míngua, mal
vestidos e subnutridos enquanto investem o dinheiro do auxílio em
celulares de marca, televisores gigantes e notebooks potentes com
acesso à internet. E é de se esperar que no país do “jeitinho”
uma ajuda que tem o objetivo de ser provisória acaba se tornando
permanente. E esse sustento ao próximo sai do bolso do trabalhador,
não como ato de caridade, mas sim como um estupro!
Enquanto pensava em
programas sociais que realmente pudessem beneficiar a população
lembrei do “rouba mas faz” Paulo Maluf e seu programa “Leve
leite” que premiava alunos que apresentassem 90% de frequência
escolar com quilos de leite em pó. Uma assistência que exigia que o
aluno frequentasse as aulas para ser reclamada.
Pensei também nos
restaurantes comunitários, alguns vinculados ao programa
“Alimente-se bem com um real” do SESI. Lembro que fiz um curso de
culinária desse mesmo programa no SESI próximo a minha antiga casa
e achei bastante satisfatório, ensinando a reutilizar cascas, talos
e outras coisas que jogamos fora, mas que podem constituir uma bela
refeição, combatendo assim a cultura do desperdício.
Imaginem um
trabalhador que pudesse almoçar todos os dias e no final do mês
teria gastado apenas 30 reais e por uma comida de qualidade,
balanceada e avaliada por nutricionistas.
Também penso que
seria excelente investir em merenda escolar. Em primeiro lugar porque
muitas vezes é a única refeição que uma criança carente faz no
dia e em segundo lugar porque a merenda se dá na escola, ou seja,
pra comer com qualidade a criança teria que estar na escola,
presente em sala de aula.
Mas para acabar de
vez com a miséria e o assistencialismo o Brasil precisa de uma
medida a longo prazo e essa medida é a reestruturação – e porque
não dizer reconstrução – cultural em vários níveis, de modo
que o “jeitinho brasileiro” seja para sempre extinto e então
veremos as coisas dando certo, longe do oportunismo.
Foi aí que pensei
em uma intervenção midiática. Uma regulação de todo conteúdo
transmitido pelas emissoras de TV abertas. Esse decreto teria uma
bancada responsável por avaliar o conteúdo oferecido nas grades de
cada canal.
Claro que para isso
dar certo esta bancada deveria ser incorruptível, de preferência um
conselho privado que não recebesse influências diretas do governo.
E notem que não me
refiro ao “marco civil da internet” ou outras formas de censura
que tememos diante da maré vermelha que está assolando o país.
Quando falo de regular o conteúdo me refiro a qualificar o conteúdo,
trazendo mais programas culturais e substituindo aos poucos a
baixaria que impera na TV aberta nos dias de hoje.
Claro que a
televisão no Brasil e vista como fonte de lazer para a maioria das
famílias e visam o lucro, portanto passam aquilo que dá audiência
e se o povo quer barraco eles entregam a cultura do pão e circo.
Mas será que uma
mudança gradativa faria tanto mal assim para a população? Será
mesmo que o brasileiro é tão burro?
Vejam por exemplo o
caso da Raquel Sheherazad,
a jornalista, natural de João Pessoa foi
trazida para o SBT e ficou famosa por suas opiniões “doa a quem
doer” e acabou ganhando a simpatia dos telespectadores, virou hit
na internet e tem um dos canais mais acessados do Youtube.
Prova de que muitos
brasileiros estavam atentos ao jornal, o que é uma coisa
excepcional. E graças ao comentário cheio de farpas e à sua
repercussão na internet muitas pessoas acabaram se interessando
pelas opiniões da jornalista e passaram a seguir o noticiário, e
isso inclui uma enorme massa de jovens também.
Luís Carlos Prates
é um gaúcho, comenta o jornal do almoço do SBT de Santa Catarina e
é meu ídolo. Tomei conhecimento dele através da minha – agora
esposa – Kelly, que é de Caxias do Sul e
me encantei com a dureza
e a verdade crua de seus comentários logo nas primeiras
visualizações e comecei a divulgá-lo nas minhas redes sociais,
tendo bastante aderência por parte dos colegas interessados no tema.
Portanto não sou
contra a evolução dos meios de comunicação e de uma maneira mais
dinâmica e com mais personalidade de fazer programas, de noticiar e
de educar. Sou contra os programas que não agregam, ou ainda os que
desagregam valores.
Fiquei besta ao ver
que no Fantástico, programa de variedades e notícias da Rede Globo
que tem enorme audiência nas noites de domingo, quando ficaram discutindo se o vestido era azul e preto ou azul e
dourado, ou sei lá. Nem sei de onde surgiu essa banalidade, mas
perder tempo com isso num programa com uma produção tal qual a do
Fantástico é de chorar.
E os programas como
“Casos de Família” e similares, e incluo aqui os de fofoca, que
perpetuam uma baixaria em plena tarde, em um horário onde muitas
crianças são deixadas em companhia da televisão. Aí depois o
pessoal vem censurar Dragon Ball e Pokémon… Porra meu!
Sem falar em pérolas
como o Exxxxxquenta que apresenta artistas com péssimo comportamento
e envolvimentos em escândalos e os apresenta como heróis da
humanidade a servir de exemplo pra molecada em formação. Bom… Se
já tem gente idolatrando Chê Guevara né?!
Uma saída
interessante seria que essa bancada que sugeri no início do texto
estipulasse uma carga horária para as emissoras a ser preenchida com
programas educativos, documentários, debates interessantes. A
internet está aí pra provar que adquirir conhecimento pode sim ser
divertido. Tantos canais de curiosidade e conhecimento que fazem uma
abordagem leve e interessante dos temas propostos e angariam milhares
de visualizações e seguidores.
E embarcando nessa
atuação do governo a famosa “verba de imprensa” que deve ser
repassada para os canais para divulgações sobre os governos e
propagandas poderia ser repassada de acordo com o espaço e
investimento da emissora entre produzir e transmitir conteúdo
educativo e cultural, como se fosse uma Lei Rouanet só que sem as
FRAUDES!
Entretanto é
difícil esperar esse tipo de reforma enquanto houver corrupção e
enquanto os governantes se refestelarem no dinheiro do povo, entrando
em escândalos e mais escândalos. Para isso, a população dever
permanecer ignorante e domesticada.
Talvez essa reforma
cultural fique no sonho, talvez perpetuemos essa dependência de
esmolas achando que somos mais espertos que o outro que acorda cedo
para trabalhar e talvez a qualidade de vida do brasileiro desça cada
vez mais. O que é certeza é que deixamos de ser um povo e passamos
a ser um curral. Ordenado, domesticado, dócil, onde os poderosos
pintam e bordam e ainda assim continuam sendo eleitos.
Mas continuo nessa
missão e pretendo vencer pela pena ou morrer pela espada, mas jamais
desistir!
Forte abraço e até
a próxima!!!
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